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terça-feira, outubro 02, 2012

Os esmaltes da minha avó

Eu vou confessar algo: desde que minha avó se foi, eu tenho usado as cores de esmalte de que ela gostava. Primeiro foi inconsciente, uma cor aqui, outra ali; depois eu me dei conta desse movimento em busca da essência da avó, da infância, do afeto, e assumi de vez essa tentativa de aproximação, de registro, de presentificar a avó saudosa.

As cores? São cores próximas ao rosa antigo, ao café com leite, ao acinzentado. E não há uma cor apenas, basta eu ver a cor e sei imediatamente se ela gostaria dela, e vou lá e compro. Claro que não é todo dia que compro esmaltes, mas essa busca tem sido uma constante nos últimos dois, três anos. É bonito de viver.





quinta-feira, maio 26, 2011

Sobre maternidade

Estou escrevendo um blog sobre maternidade, o link é o http://domeuproseuumbigo.blogspot.com/

Boa viagem para todos nós!!

:)

domingo, março 20, 2011

Carta à amiga que se foi

Encontro forças no amor e amizade que senti e sinto por ela durante nossos 20 e tantos anos de amizade e afeto para vir aqui escrever. E também no rivotril que me ministraram no hospital para acalmar os nervos. Cheguei em casa e não pude fechar os olhos. Estou como em transe: o mundo parece irreal, e não consigo reagir a nada. Meu amado me serviu o almoço na cama (já eram quase cinco da tarde) e fiquei ali, tentando buscar o sono, o mergulho no abismo onde não houvesse essa dor, essa tristeza, essa saudade. Mas o sono não veio. Levantei e vim afogar minha saudade em sorvete com aveia. Comer para preencher o vazio. Uma compulsaozinha para minimizar a dor. Sei que ela brigaria comigo, me diria "cuidado com o açúcar, cuidado com a diabetes gestacional", como fez esses dias nos seus arroubos para que eu tenha uma gravidez saudável.

Saí do pronto-socorro e a rua parecia um cenário distante. Fazia por volta de 26º, mas eu sentia frio, um frio na alma, inexplicável. Me dei conta de que um pedaço do meu coração se foi. Loteamos nosso coração ente aqueles que amamos incondicionalmente, e ela era uma dessas pessoas. Eu a amava incondicionalmente. Não importava se um dia brigássemos, ou se ela ou eu sumíssemos, o amor ficava ali, intocado. E foi assim por todos esses anos de amizade.

Ainda estou em estado de choque. Não acredito. E por não acreditar, parei de chorar um pouco. Talvez seja o efeito do rivotril. A preocupação de todos da minha família é que eu fique bem para não fazer mal ao bebê. Eu também estou preocupada com isso. Mas o que fazer com essa dor dentro do meu peito?

Amiga querida da minha alma, onde quer que você esteja, saiba que te amarei para sempre, como a irmã que você sempre foi pra mim. e a irmã que fui pra você. Sua partida tão breve me ensina as mesmas lições que tentei te passar outro dia, quando você falava de ainda não ter superado a ida de vó Pazinha e de Simone. Nunca vamos deixar de amá-las, só vamos aprender a esperar pelo reencontro, que um dia virá.

Você me ensinou tantas coisas! E agora, neste momento de dor, continua me ensinando. Vou lamentar que você que não esteja aqui para meu bebê aprender a te chamar de tia e te amar como eu te amo. Vou sentir muita saudade, saudade de quem fui ao seu lado, de todas as coisas maravilhosas que vivemos juntas, compartilhamos, de como crescemos com os erros e acertos uma da outra!

Onde você estiver, saiba que vou continuar rezando por você e para que um dia a gente volte a se encontrar, minha querida! Saudades, muitas saudades, saudades eternas, Katinha.

Da irmã que te ama e te amará eternamente,

Bia

domingo, junho 27, 2010

Adeus, Saramago


"Ocorre-me que os escritores não se despedem, porque não partem.
A escrita de Saramago, o próprio a fazer letra dos seus pensamentos, continuará a nos provocar o sublime.
Quiçá para muitos será este o ano em que nasceu José Saramago."
Isadora Ataíde

Sempre sofri com as perdas daqueles que me formaram. Fosse um escritor, um músico, um pensador sensível, o certo é que me deixaram de luto vários nomes da cultura universal, gente que me fez ampliar os horizontes de ver e existir. Mas confesso que de todos os que vi partir o que mais me causou comoção e tristeza foi José Saramago. Deste autor incrível não li muito ainda. Mas o que tive o prazer de ter entre as mãos me fez amar de modo tão profundo a língua portuguesa, que só pude sentir mais prazer em tê-la como língua materna, para além do amor que eu já sentia antes de conhecer a sua obra singular.

O seu primeiro texto em meu paideuma foi o Cadernos de Lanzarote. Mas a minha relação de amor com Saramago se deu, definitivamente, através do livro Todos os nomes, que me enredou de tal maneira na suas páginas a ponto de me fazer mergulhar em corredores escuros com o protagonista, a vasculhar arquivos empoeirados e biografias inconsistentes, em busca de quem sabe lá o quê; em busca, talvez, da essência humana, de algo escondido em lugares esquecidos da memória. Saramago plasmou, nesta obra incrível, a memória da humanidade, os nomes e biografias perdidos, os arquivos mortos que contam a História de todos os homens que vivem e já viveram.

Lembro-me de quando, em 1998, concederam-lhe o Prêmio Nobel de Literatura. Merecidamente, entregavam-lhe os laureis da academia sueca; encontrei, em meus papeis daquela época, cópia da carta aberta que o escritor cubano Manuel Díaz Martínez escreveu felicitando-lhe, e transcrevo um trecho seu:

" Carta a José Saramago

Querido y admirado Pepe, ante todo quiero que sepas que pocos premios, incluidos los que me han dado a mí, me han alegrado tanto como el Nobel que te acaban de otorgar. La Academia Sueca, que no siempre ha acertado, se ha honrado honrándote. Y tu premio me alegra, además, porque implica el primer homenaje que los académicos de Estocolmo han hecho a la lengua portuguesa, tan amada por mí —tú lo sabes—, que es la lengua en que mejor me expreso después del español. (...)"


Nos últimos dias, li muitas homenagens escritas a Saramago, despedidas que acalentam um pouco a minha alma, e falam da perda comum de todos os que amam a sua obra e que aprenderam, também, a amar o grande homem por trás dela. Porque Saramago, para mim, não foi apenas o escritor nobel de literatura: ele foi o homem de ideais incorrompíveis, defensor da Vida e da dignidade humana, lutador por um mundo justo e de oportunidades para todos.

Lembro-me de tê-lo ido ouvir no Grande Teatro do Palácio das Artes. Que ano era aquele? Era 2000, acho. A figura em minha mente é a de um orador muito simpático e generoso com o público que lotava o teatro, e se referiu a nós como "a tribo da sensibilidade", ali reunida para ouvi-lo. Meu Deus, que grande alma!... Que grande homem! Gente como Saramago me faz acreditar mais e mais no ser humano, me faz crer que a Arte educa os sentidos e que também os liberta.

Descanse em paz, maestro. Como Isadora Ataíde, eu me sinto confortada com a ideia de que parte o homem, mas fica para nós o escritor e sua obra. Absolutamente imortais.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Segredinho contado ao pé do ouvido

Mamãe, ele conhece o céu
o mistério das nebulosas
o não-compreensível das estrelas,
[que já estão mortas enquanto as contamos.

Ele chama as estrelas cadentes
de meteoritos.

Ele sabe calcular a distância
da Terra a Saturno
E ele é capaz de explicar o caos.

Diz que o caos é formado por
seqüências intercaladas
de ordem e desordem
Do mesmo modo que a Vida.

Ele me dá lições sobre o tempo:
com ele eu vivo os sessenta minutos
de uma única hora
como se fossem
cento e vinte,
intensamente.

Mamãe,
ele sabe como chegar
até meu
fundo.

Ele tem os mapas.

sábado, abril 19, 2008

Carta de amor mientras no vuelas hacia mí.



Amado,

Hoy me siento como una chavita de tres años de edad. Mi objeto amoroso está lejos y me resiento de esa distancia, olvido su rostro para no llorar, por lo mucho que lo extraño. Yo lo extraño porque no tengo sus manos para jugar conmigo, no tengo su abrazo, ni su piel dulce y clara. Soy una chavita de tres años que no quiere la muñeca, que ha dejado de jugar porque nada tiene gracia sin su objeto amoroso. Escucho su voz en mis recuerdos, lo deseo cerca mío y sueño su sonrisa, sus besitos jugosos, su calor tan bueno.

Hoy soy esa chavita y te amo.




(Foto sacada del sitio nanda3k.weblogger.com.br/img/menininha.jpg)
Foto retirada daqui.

QUERO

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.


Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.

No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amaste antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.


- Carlos Drummond de Andrade -
(As impurezas do branco. Rio: José Olympio, 1974)

segunda-feira, março 03, 2008

Tuas experimentações lingüístico-amorosas
tuas vogais desnasalizadas quando deveriam ser ditas como ã, õ...
todas as tuas manias
as queixas de que roubo a cama, o lençol...
a tua pele clara
o teu cheiro
as tuas mãos no pandeiro
- e em mim
o estarmos juntos
o rirmos juntos
as horas intermináveis de cinema
e caminhadas
a tua alegria de viver
a tua curiosidade por tudo
o menino que ainda mora aí dentro
o menino que, se eu deixar, fica horas no mar
esse jeito de pôr tudo na balança
de pensar no lugar do outro
tua generosidade
tua ânsia pelo mundo e o que há nele
tudo isso me faz bem
tudo isso me faz falta.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Desejos

É um desejo de dizer

te amo

De tocar os teus cabelos

De dizer palavras ternas e quentes

Que só você interpretaria

Que só você conhece.


É um desejo do corpo

É uma saudade da alma

Das tuas palavras livres

Do teu olhar o mundo

Que me fascina.


É uma vontade de viver perto

De tecer colchas para agasalhar

Nossos corpos amantes

Nossos sonhos

Nossa vida.


É uma vontade de cobrir-te

Com meu corpo

Para tirar-te o frio

Para dar-te amor.

sábado, fevereiro 09, 2008

A veces tengo ganas de escribir unas cuantas palabras en español, esta lengua amorosa de mí. Con ella puedo alcanzar mucha gente que quiero y que, desafortunadamente, no lee en portugués (Aunque portugués y español sean lenguas hermanas, y con tantas palabras en común). A veces quiero decir cosas que alcancen lejanías, pero las lenguas siempre serán puentes y barreras a la vez. En cuanto ofrezco el diálogo a algunos, a otros les cierro el paso debido a la lengua que use.

Escribir en español me da mucho gusto, y deseo hacer de esto una práctica más corriente, un hábito. Unas líneas que viajen por los cables de internet y que lleguen a un más allá espacial, a espacios culturales que extraño y a personas que, como ya he dicho, quiero mucho, mucho, mucho.

Quiero compartir unos versos de Benedetti, unos versos amorosos que me caen muy bien y que dicen mucho a la persona más especial de mi vida, un hombre que me hace feliz con el sencillo hecho de que existe. Quiero celebrar con estos versos su regreso hacia mí, y que él sepa que estoy haciendo el conteo regresivo, que cuentos días, horas, segundos para tenerlo otra vez cerca mío, para tener todo lo que dice el poema de mi querido Mario.

TODAVÍA

No lo creo todavía
estás llegando a mi lado
y la noche es un puñado
de estrellas y de alegría

palpo gusto escucho y veo
tu rostro tu paso largo
tus manos y sin embargo
todavía no lo creo

tu regreso tiene tanto
que ver contigo y conmigo
que por cábala lo digo
y por las dudas lo canto

nadie nunca te reemplaza
y las cosas más triviales
se vuelven fundamentales
porque estás llegando a casa

sin embargo todavía
dudo de esta buena suerte
porque el cielo de tenerte
me parece fantasía

pero venís y es seguro
y venís con tu mirada
y por eso tu llegada
hace mágico el futuro

y aunque no siempre he entendido
mis culpas y mis fracasos
en cambio sé que en tus brazos
el mundo tiene sentido

y si beso la osadía
y el misterio de tus labios
no habrá dudas ni resabios
te querré más
todavía


Estos versos se encuentran en esta página.

Abrazos a todos.

terça-feira, janeiro 08, 2008

A chuva e eu

Hoje eu caminhei pela cidade. Caminhar pelas ruas de Conquistanópolis (assim a batizou meu amado) me atravessa com sua nostalgia que se amalgamou às ruas, às casas, aos edifícios. Hoje eu tenho mais saudade que nos outros dias. Fiquei com uma puta saudade de Kátia Yamada quando passei pela rua Dr. Mário Batista, e lembrei-me de nós duas, adolescentes, passeando por ali. Essa cidade me dá nostalgias. Chovia. Molhei os pés nas enxurradas, maldisse as bocas de lobo entupidas, mas também celebrei a chuva e seus cheiros. Um conto me veio em plena Siqueira Campos deserta, às duas da tarde. E peguei caderno e caneta e tomei nota do que me inspiravam a tarde, a caminhada. Eu tenho saudades de quem eu fui. Eu gosto de sentir nostalgias.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Saudade supersônica



No mundo globalizado e tão ágil dos portos,
navios chegam a cada manhã
trazendo containers gigantescos da China.

Aviões levando pessoas, cães, gatos e
perfumes franceses cruzam tão rápido o céu!

Tuas cartas chegam via fibra ótica
Eu te vejo na câmera web
ouço tua voz por mil artimanhas
e quase sinto a tua pele...

_Avise ao meu coração que, apesar de tudo isso,
devo aguardar, tal qual Penélope, a tua chegada!...

quarta-feira, dezembro 12, 2007

terça-feira, novembro 20, 2007

Confissão ao pé do ouvido







_ No fundo, no fundo, eu preciso que você cuide mim.


sexta-feira, outubro 05, 2007

Maneiras de sentir saudade

Tô com saudades de ir ao cinema. Faz umas três semanas que vi uma telona. Náo deixei de ver os filmes que Apolo tem em casa, mas ir ao cinema tem outro gosto. Imagino que só o farei agora no Brasil, mas náo faz mal. Vou me nutrindo de filminhos no dvd enquanto isso...
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Há poucos dias descobri que há aqui um museu da indumentária mexicana, e penso visitá-lo no domingo, quando iremos passear no centro pela manhá. Vamos ao Angelus, na Catedral Metropolitana, um momento em que sobem grupos de pessoas ao campanário da igreja e tocam-se os sinos... Dizem que é um espetáculo, já poderei falar disso em alguns dias. Quero também caminhar pelo Zócalo e redondezas, sentir um pouco do coracáo da Cidade do México... Quero me despedir desse lugar lindo...
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Hoje teremos uma reuniáo na casa de Apolo. Trata-se de comemorar a sua titulacáo académica, e também é um pretexto para reunir os amigos dele... Vamos preparar caipivodcas, ouvir samba e tomar caldo verde. Nada mais brasileiro, verdade? Digamos que é um aquecimento para voltar ao universo brasileiro...
Au revoir.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Andanças pela cidade

Hoje, finalmente, conheci o Castillo de Chapultec, onde funciona o Museo Nacional de México. É uma construção belíssima, que já foi sede de muitos governantes, desde o Império até alguns presidentes da República. O Museu é bem bonito, mas depois de haver visto o Museo Nacional de Antropología, acho que já não oferece informações tão valiosas sobre México. Mas o castelo, ai!, o castelo é maravilhoso, e gostaria de estar aí hospedada por um par de noites...
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No domingo, Apolo e eu fomos passear em uma das regiões do Distrito Federal, um lugar lindo chamado Xochimilco. Aí se produzem plantas de muitas espécies, e é um dos lugares que produzem alimentos no DF. É uma região de aspectos muito interioranos e tem um tempo diferente do resto da capital. Gostei muito. É uma região bordeada por canais que são responsáveis por irrigar as plantações que ocupam as suas margens. São vários os canais, e por alguns se fazem passeios em embarcações chamadas trajineras, muito coloridas e alegres. Ao longo do canal vão surgindo restaurantes e bares, e também em algumas margens há mariachis, ansiosos por vender sua música. Alguns músicos também transitam nas trajineras, e nessas embarcações também circulam vendedores de alimentos e até fotógrafos.
É um lugar cheio de famílias domingueiras e turistas em busca das entranhas do México. É como estar em Veneza, ou em Amsterdam. Mas ali é o México, com sua paisagem mexicana e sua gente alegre, que ali se converte em pessoas melancólicas, como a música que tocam os senhores que vêm nas embarcações.
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Depois do Castillo de Chapultepec, fomos ao Museo de Antropología, onde acontece por esses dias a Feria del libro de Antropología e Historia. Assistimos a algumas apresentações de dança folclórica de algumas regiões de México, e depois circulamos pelos stands cheios de pérolas escritas... Os livros, os livros... Fico delirando... Pena não poder levar muita coisa. Mas estou aproveitando para levantar uma bibliografia para um possível doutorado. Não sei quando, não sei onde, mas o que sei é que já estou traçando algumas linhas do que gostaria de pesquisar durante quatro anos da minha vida. O que sei é que vale a pena pesquisar algo que me dê absoluto tesão e que me desperte a alegria de investigar. Não quero pesquisas que me angustiem, que me deixem tristem. Hoje eu penso que a alegria tem que fazer parte do trabalho.
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Enquanto escrevo, jogam as seleções de Brasil e México, e faço de conta que não estou aqui... ;) Melhor assim, né?
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Estou vivendo uma fase nova, que me impõe vários desafios. Tenho o peito aberto e alma leve e curiosa, mas também sinto uma pontinha de medo e um friozim na barriga. Sei que tudo é possível, exatamente porque nada nessa Vida é certo. Vamos em frente, a despeito do medo.
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Aos amigos que têm acompanhado as fotos do msn spaces, já coloquei as fotos de Xochimilco. Em breve subo as de Chapultepec.
Saudações e saudades apertadas,
Biazinha.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Crônica da Cidade do México

Vista parcial do Palacio de Bellas Artes e do Edificio de los Correos.

Este é o lugar fundado pelos mexicas. Estamos entre os 2.240 e os 3.700 metros acima do nível do mar , no Valle de México. Quase sempre sinto frio, mesmo sendo veráo. A cidade me fascina, com suas avenidas imensas, misturadas a pequenos povoados que foram incorporados pela metrópole e surgem, de repente, em meio a bairros e ruas modernas. Você vai por uma avenida como o Eje 10 sur, por exemplo, e em um determinado ponto topa com o povoado Los Reyes, com suas ruazinhas tortas e estreitas, já completamente incorporadas pelas vias amplas e sua modernidade.


A Cidade do México se abre em parques, museus, cafés, edifícios históricos e muita coisa interessante que ver e conhecer. Esse lugar me tem completamente fascinada. Já nem falo só de Coyoacán, onde poderia viver perfeitamente e onde posso passar bons momentos cada dia. Coyoacán e suas cores. Aqui descubro que náo há as cores de Frida Kahlo; o que fez Frida foi pintar com as cores de Coyoacán. Descobri, caminhando pelo Museo Nacional de Antropología, que as cores do México (que também sáo as de Coyoacán, de Frida, de todo o país) sáo as cores dos Aztecas e Mayas. Os antepassados desse povo adorável usavam e abusavam dos pigmentos naturais amarelos, azuis, vermelhos e amarronzados, o que pude ver nas pinturas de várias esculturas.


Vive-se, aqui, entre vulcóes adormecidos, aos pés do belíssimo Ajusco, cuja estrada me entorpeceu de um prazer estético e sensorial únicos. A idéia de estar próximo a vulcóes deve também fascinar esse povo.


Aqui, a natureza é máe e madrasta. Os habitantes do DF convivem com a ameaca dos tremores de terra, e o mais impactante deles até hoje, o de setembro de 1985, permanece vivo na memória de quem viveu o horror daquele episódio. Foram dezenas de milhares de mortos, os quais náo foram anunciados oficialmente (leia isto). Algumas regióes da cidade sofrem mais com os tremores que ocorrem. Ouvi dizer que acontecem 8 tremores diários na Cidade do México, os quais, por sua baixa intensidade, náo sáo sentidos pela populacáo. Imagem isso: oito vezes ao dia sentir que a terra se move, isso seria desesperador para mim.


Alguns bairros (aqui chamados colonias) estáo fora do solo vulcânico e, por essa razáo, sofrem toda a violência dos tremores. Os de solo vulcânico contam com uma espécie de amortecimento, e podem passar quase incólumes aos tremores mais intensos. Sinto-me segura em Coyoacán pois essa é uma regiáo com esse tipo de solo. Quando estou no centro da cidade, vivo constantemente a fantasia de que ali os tremores podem fazer mais estrago... e de que náo estou a salvo. Os habitantes da Cidade do México têm um tema oficial em seus pesadelos: os tremores de terra. E os que vêm a passar um tempo ou viver nessa cidade adotam-no como tema também.


Gosto de andar nos peseros, os micro-ônibus que circulam pela cidade e custam 2,5 pesos para os primeiros 5 kms. Gosto da Avenida Insurgentes, a maior avenida do mundo; e de caminhar pelo Centro Histórico, entre ruas que me transportam a outra época. O Centro Histórico à noite é mágico, e de fato é como se estivesse em outro século. Mesmo com a iluminacáo elétrica, o lugar tem um ar de mistério e me sinto outra pessoa.


Amo os páes doces, vendidos em confeitarias e cafés! Há uns que se chamam mantecadas, ai!, sáo de me enlouquecer! É maravilhoso entrar em uma confeitaria num fim de tarde ou comeco de noite, e tomar um capuccino com mantecada! Tudo isso me deixa fascinada com essa cidade!


Há muitos programas culturais bacanas - e totalmente grátis - que se podem fazer. Há muitos museus de entrada livre, espacos culturais com programacáo deliciosa, e também feirinhas de artesanato e artes plásticas ao ar livre, em pracas pitorescas e lindas.


A Cidade do México me tem maravilhada. E quero voltar a escrever mais sobre as minhas impressóes amorosas desse lugar esplêndido!
Saudacóes do México,
Biazinha.

quarta-feira, junho 20, 2007

L'Amour est toujours le même!



É engraçado. É mesmo engraçado. Em 1947, Simone de Beauvoir escrevia cartas de amor a Nelson Algren, e elas voavam até Nova York, depois chegavam a Chicago, onde eram lidas náo com menos amor com que eram escritas. Exatos sessenta anos depois, escrevo emails de amor ao Sr. Osornio, e eles viajam via fibra ótica até a Cidade do México. Se fossem sessenta anos atrás, eu teria que esperar muitos dias por cartas do meu amado...

Estou lendos as cartas de amor trocadas entre Simone e Algren. Leio a conta-gotas, antes de dormir, já na cama. Quero protelar ao máximo essa leitura, tenho pena de que esse livro acabe de ser lido, pois é lindo. Além do elemento amoroso, que me é muito familiar no meu amor transcontinental, há as impressóes dessa figura que me é táo cara sobre Paris, Londres, Estados Unidos, Copenhague, etc; sobre pessoas, acontecimentos, toda uma época e suas transformaçóes. Simone fala de uma Europa pós-guerra e seu olhar me aproxima desse mundo que náo conheci. É mesmo engraçado ver a mulher de carne e osso por detrás da filósofa e da escritora.


Vejo, nas cartas de Simone a Algren, toda a intensidade amorosa que vejo em meus emails e cartas a meu amado. Ou seja: a essência dos relacionamentos forçados a viverem à distância (momentânea ou eternamente) é a mesma. Fica a saudade. Tenho vontade de copiar longos trechos aqui, talvez eu o faça depois. Leio as cartas de Simone a Algren com um ar quase solene, de profundo respeito por cada palavra. Talvez náo me sinta confortável em copiar aqui os trechos que quero, talvez me sinta como que profanando um amor...

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Bom, passei mais de uma hora conectada à internet, devo ir cuidar de outras coisas que sáo muito importantes também.

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Náo resisto. Copio um trecho que tem muito a ver com o que estou vivendo hoje:

" Quinta-feira, 31 de julho [de 1947]

Meu bem-amado, meu marido querido. Seu telegrama me acordou essa manhá, e meu coraçáo se acelerou, como se você tivesse batido pessoalmente à minha porta. Quando eu o vir de novo, acho que minhas pernas e meu coraçáo me faltaráo, porque só de pensar, quase desmaio. Estou táo feliz, Nelson. Agora você sabe que dentro de cinco semanas tornarei a beijá-lo, e isso parece um sonho. Náo tenho mais nada a acrescentar, porque estou táo ansiosa com a idéia de vê-lo que o prazer de escrever se extinguiu: eu só quero falar com você. (...)"
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God bless Love...

segunda-feira, maio 14, 2007

Carta de amor bêbada de madrugada e saudade


Meu amado:

É maio. Caminho em direçáo a teu mundo, sonho teu corpo, tua voz, teu cheiro. Os dias sáo o desafio de ir vivendo exaustivamente uma saudade que me corta a pele com sua lâmina muito delicada; sinto a noite mais densa, sinto o dia mais lento longe dos teus passos. Cada dia descubro as possibilidades de sentir desejo e sentir ausência. Desejo e ausência se confundem nas horas desses meses que nos separam. Mas tenho teu bioplasma guardado sob minha pele: tua essência penetrou em minha pele e se alojou em minhas células... Te respiro, como num poema de Hilda. Já náo posso mais ter uma vida sem você, me faltaria um pedaço, como me falta agora um pouco de mim nesses muitos kilômetros e fusos horários. Eu me/te necessito para estar de novo inteira. Sonho teu beijo, tua boca que toma a minha, tua alma que me encontra alma e leveza, beijo e intensidades. Penso em ti e sei que pensas em mim, que vamos sobrevivendo às horas e à saudade, al extrañamiento que es un puente sobre el tiempo. Eu te amo entre o agora e o porvir, com as muitas vontades de viver junto e sempre, com ternura, certeza, afeto e alegria. Amo-te como só amaria aquele que me salvaria de mim mesma, alguém que aparece num texto antigo e de inspiraçáo ultra-romântica. Em meio a essa noite de maio, desejo teus olhos doces, desejo tuas máos de homem e teu modo intenso de amar. Amo-te com a saudade que só nós dois sabemos e que náo cabe em meu peito. Desejo ter-te infinitamente. O tempo me devora mais rápido se você náo está. Mas sobreviverei porque é grande meu amor e sincero meu desejo de compartilhar minha existência contigo. Amo-te.
Para sempre tua...

terça-feira, março 27, 2007

Outra vez. (E até a exaustáo.)



Ontem voltei ao cinema. Fui por Só Deus sabe. Esse é um filme especial pra mim, sem dúvida. Os meus amigos saberáo que, além da questáo amorosa, o filme me toca a alma em outros pontos. Toca, náo; atravessa. Me toma como se eu fosse feita de pano, e me molha, me deixa impregnada com sua água, com a coisa fluida que o compóe. Como se náo bastasse, há o deserto. Eles cruzam juntos as terras áridas do norte mexicano. Os lugares que compóem os fragmentos dessa teia amorosa sáo Brasil e México, dois lugares de nós dois. Ontem saí do cinema muito melancólica. Esse filme me mói. Náo bastasse, a noite era linda e fresca, e o céu tinha o azul das noites estreladas sem lua.


Só Deus sabe é um filme para sentir. Há filmes para pensar, desses que a gente tem que sentar depois num café ou num bar, e falar horas sobre os temas que váo se multiplicando, brotando no esquema rizomático deleuziano-guatarriano... ;) Com Só Deus sabe, fica um silêncio por fora. É degustaçáo estética somada a sentimentos feito rio por dentro. Porque sendo um filme que fala de Oxum, os sentimentos brotam como rios. Sáo água dentro da gente, l(e)avando tudo.

Vem-me um poema de Hildinha:

XII

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água

Desejasse


Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há um tempo

Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.

E mais atento.


HILST, Hilda. Do amor. SP: Massao Ohno Editor, 1999.


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Gostei muito do figurino do filme. Amo as pulseiras douradas de Alice Braga. (Queria descobrir onde as compraram...). Gosto muito desse filme. Muito. Acho que já disse tudo por agora. Talvez venha depois.